domingo, 23 de agosto de 2015

Bate Papo

Felipe Cordeiro

Minha amiga Ana Clara Matos entrevistou o jovem compositor paraense Felipe Cordeiro, para o site guiart.com.br. Faço a reprodução da entrevista aqui nesse espaço, com a esperança de que algo esteja realmente mudando por aqui. Segue o bate-papo:

Tarde ensolarada de início de julho, começo de expediente, primeira tarefa: uma entrevista. A conversa fluiu, o assunto ultrapassou o estritamente profissional e se tornou um agradável bate-papo sobre música, que poderia ter acontecido na beira de uma praia neste alto verão.

Meu interlocutor era o compositor paraense Felipe Cordeiro. O ponto de partida foi o seu primeiro disco, “Banquete”, fruto da poesia bem maturada e a musicalidade de estilo próprio de um artista de apenas 25 anos, com uma infinidade de possibilidades pela frente.

Gravado em 2007, “Banquete” foi apresentado num coquetel em maio e deve ser lançado oficialmente com um show em agosto. Participam do disco doze intérpretes: Karina Ninni (SP), Patrícia Bastos (AP), Vital Lima, Lívia Rodrigues, Andréa Pinheiro, Olivar Barreto, Arthur Nogueira, Mel Ribeiro, Angélica Costa, Renato Torres, Alba Maria e Floriano, que também é responsável por alguns arranjos.

A seguir, Felipe fala sobre o álbum y otras cositas más.

Na apresentação do disco, tu falas de “apego” à palavra “banquete” por conter apetite, tato e ato, e creio que o ato inclui a idéia de celebração. Foi isso que pautou a realização desse álbum, que traz intérpretes-amigos e reúne músicas antigas e outras compostas especialmente para o projeto?

FC: Exatamente isso. A idéia de pessoas reunidas numa "celebração", numa espécie de ritual, no caso uma celebração da "diversidade" brasileira, da poética do sujeito livre... Acho que isso está expresso no disco, desde a escolha do repertório (diverso, do samba ao experimental) até a escolha dos artistas (cantores, parceiros de composição e músicos).

Isso dá pra sentir, mesmo, no clima do disco. Como foi a escolha dos intérpretes para cada faixa? Ou os cantores escolhiam as músicas para gravar?

FC: Eu escolhi os cantores e as faixas que eles iriam cantar. Não dei a liberdade de escolha. Pensei como na direção de um filme, onde queria cada voz para determinada música, pensava sobretudo na unidade do CD, algo difícil de conseguir devido a variedade de timbres e maneiras de cantar. Como não cantei, queria ter o controle dos cantores e as músicas que cantariam.

Sim, isso é muito legal, essa clareza do que queres do trabalho. É composição para além de letra e melodia...

FC: É sim, porque ser compositor de melodias é uma coisa, autor de letras é outra, ser músico (instrumentista) é outra, ser diretor musical de um CD é outra... No caso do disco, fui tudo isso...

Nem todas as músicas do disco foram arranjadas por ti. Como é ver as composições ganharem forma por outras mãos? Atuaste em conjunto nos arranjos de Floriano e Renato Motha ou te entregaste à leitura deles?

FC: Foi uma escolha fundamental no resultado do Banquete meu convite pro Floriano. Ele tinha intimidade com o repertório, pois já tinha arranjado algumas das composições para festivais e discos de cantores. Então o escolhi sobretudo por essa intimidade com o repertório. No entanto quis dividir a direção musical do CD com ele, assim como os arranjos, pela qualidade do trabalho dele, pela experiência e "estilo". Então, eu o chamei e pensei a concepção sonora do disco com ele. Em alguns arranjos que ele assinou eu dei sugestões e em outros não e o contrário também se deu. Assim acredito que foi um trabalho de colaboração mútua e bate-bola, no caso eu ficava responsável por fazer o gol e ele a jogada.

Já o Renato Motha é um grande compositor, músico e cantor mineiro de que sou admirador (antes do Menina da Lua, gravada pela Maria Rita). Sucedeu de ele arranjar duas músicas minhas no disco da cantora amapaense Patricia Bastos. Só fiz pedir autorização do fonograma para utilizar no meu CD, foi tudo gravado em Minas.

Falando dessa relação com músicos de fora do Pará, tuas músicas já ganharam prêmios em outros lugares. Como foi pra chegar nesse mercado que de longe parece tão fechado? Os contatos feitos nessas ocasiões já geraram parcerias, além dessa com o Renato Motha?

FC: Vivemos um contexto muito próprio e isso me faz refletir muito...

Falas do contexto das mudanças no mercado?

FC: Falo com relação a essa coisa de alcançar outros lugares e também do mercado... Mas, concentrando na primeira, eu te digo que participar dos festivais foi um caminho (já foi outrora 60/70 e ainda é um pouco) para entrar em contato com outros artistas, de outros lugares do Brasil. A Internet também já foi muito interessante pra mim nesse sentido. Conheci artistas, toquei em outros lugares... Acho que hoje é bem mais fácil fazer isso, assim como também menos necessário, pois é absolutamente possível ficar por aqui e mandar "sinais de fumaça" para o mundo... Sobre parcerias que se sucederam desses contatos, já aconteceu sim...

Concordo com isso, dos “sinais de fumaça”, mas achava que festival era algo mais difícil de se alcançar.

FC: Os festivais são hoje, em geral, eventos desinteressantes na minha opinião. São defasados quanto à proposta estética, não acompanham, em geral, a velocidade da experimentação (boa e ruim) que se faz no país todo no que diz respeito à estética da música popular... Eles caíram num cancioneiro eloqüente e redundante. Mas, como te falei, é uma boa maneira de entrar em contato com outros artistas. Sempre tem um grande artista (pelo menos) em qualquer festival de música no Brasil.

Olhe, só um detalhe. Estou me referindo aos festivais competitivos, a esse tipo que se chama de "festival da canção". Não estou me referindo, por exemplo, aos festivais de música independente (festivais de "mostra") que acontecem hoje no Brasil aos borbotões e onde se encontra uma diversidade rica e muitos talentos de primeira qualidade. Esses tentam acompanhar (às vezes com sucesso) essa transformação contínua que existe no Brasil.

Sim, sim. E estão em franca expansão... Voltando para o Banquete, como estão os preparativos para o show de lançamento? O espetáculo contará com todos os intérpretes?

FC: Ainda não sei. Está sendo difícil captar o recurso adequado para o show. Mas a idéia é fazer um show belo, com todos os cantores. Ainda estamos vendo...

A batalha da grana...

FC: O compositor ou o cantor que quer fazer acontecer o seu trabalho hoje tem que cair em campo pra captar recurso e fazer essas coisas chatas. Meu CD demorou a chegar por causa disso. Gravei em 2007, mas só chegou agora, porque sou estudante e tive de me dividir em mil pra poder dar conta de fazer as coisas.

Acho muito interessante teres essa consciência, porque essa é uma realidade concreta e muita gente não admite ter que conciliar a função criativa com a parte mais prática.

FC: É... Todo artista, seja ele poeta, artista plástico, músico ou cineasta tem que ter o mínimo de habilidade de um produtor... É chato, mas necessário, e isso tem um lado bom também, pois na medida em que produz cada passo do seu trabalho, tem o controle. Por exemplo, no caso do CD, desde a concepção fotográfica, até o projeto gráfico são partes da "obra". É interessante quando o próprio artista tem esse domínio. Nos anos 80, a maioria dos artistas entregava parte da "obra" na mão dos outros, sem muita interferência. Hoje, necessariamente, ele tem que interferir... Eu digo que é chato, mas tem o lado bom.

Bem, pra finalizar: como tu mesmo já disseste, Banquete reúne canções de vários estilos. Porém, dentro dessa diversidade, são muito fortes em ti as referências dos ritmos paraenses e latinos, não é? Há um projeto de disco ou show mais direcionado a esse enfoque? Já há planos para depois do Banquete?

FC: Há sim. Acho que no Banquete, dentro da diversidade, há uma linha mais clara, que é a que diz respeito à tradição da música popular brasileira. Tem, por exemplo, quatro sambas, quatro tipos de samba. É um sintoma disso. Mas há contradições explicadas como quando digo na música Banquete que "quero quebrar meu violão e lançar no mundo uma proposta de viver...". É meio ingênuo, mas é verdade (risos). Quer dizer que posso, de um dia para outro, fazer um disco bem distinto desse. E é isso que tenho em mente nesse momento: fazer um CD (já tem repertório pra isso) ressaltando a música latino-americana e suas sínteses com a musicalidade da Amazônia, dentro de um espírito mais leve (menos denso, como é no Banquete) de sonoridade, temas e conceito. Tenho um nome provisório pro projeto, Kitsch Pop Cult. Uma longa viagem (risos).

Não acredito mais na tradição mas somente na contradição. Isso é um princípio musical pra mim, valorizar as contradições e não mais a tradição. Isso expressa uma contradição própria da minha atividade musical e do meu gosto que se revela no que é Antigo, no que é Atual e no que será Atual um dia.

Serviço:
“Banquete” está à venda nas lojas Ná Figueredo. Para conhecer melhor o trabalho de Felipe Cordeiro, acesse: www.myspace.com/fcordeiro.

Top 10 - Dez Discos em Dez Anos



A produção musical na primeira década, do novo milênio, no Brasil, foi marcada pela descentralização territorial e consolidação da tal “cena independente”. De todas as regiões surgiram bandas ou se fizeram ouvir acordes de lugares inusitados, com samba, pop, rock, eletro, funk e uma diversidade que provavelmente só a cultura brasileira poderia proporcionar.

Outra característica foi a distribuição desse material. Com os velhos esquemas em declínio e a já quase batida história da ajuda da internet, a música foi consumida nesses dez anos de forma, digamos, democrática. Música barata na rede, mas ainda muito cara nas prateleiras. Foi a década de uma única certeza: O futuro do mercado musical brasileiro é completamente incerto.

A quantidade de música produzida e discos lançados pode ter beirado o absurdo, assim, essa listinha “top 10” foi construída com discos, que a meu ver, representam momentos importantes desses anos que ficam para trás. Não há um vencedor ou destaque maior, cada um listado aqui ou não, tem seu grau de importância.

- O Bloco do Eu Sozinho (2001) – Los Hermanos: Um disco considerado suicídio comercial pelos magnatas da gravadora Abril Music, mas confirmou a mudança que já vinha se desenhando no mercado fonográfico brasileiro. Levou os barbas de volta ao início (quase uma banda independente) com a bolachinha vendida nos shows, inicialmente pequenos, até serem recolocados na mídia e se tornarem os grandes chatos da década após o lançamento do disco Ventura. (Rio do Janeiro – Rio de Janeiro) - Site

- Cinema Auditivo (2002) – Wado: Esse é um disco que cheira a tempero de manguebit. Pode ser, mas também antecipou a estética sonora que dominou a música brasileira na segunda metade da década. Bits, samba/funk e música de raiz em grande sintonia com o pop. (Maceió – Alagoas) - Site

- Fanzine (2003) – Suzana Flag: Uma banda de Castanhal, interior do Pará, conseguiu o que nenhuma da capital havia conseguido. Fazer um disco completamente independente, tecnicamente difícil de ser gravado e vender mais de 2 mil cópias com tiragens conforme a demanda sem selo de distribuição ou esquemas de marketing. Foi com o pop descompromissado de Fanzine que o Suzana Flag caiu nas graças do público local e chamou atenção de alguns produtores Brasil a fora. (Castanhal – Pará) - Site

- Nada de Novo (2004) – Mombojó: Quase dez anos depois do manguebit, mais um filhote de Recife deu as caras. Um disco com sonoridade que já se mostrava comum para aquela cidade, mas que chamou atenção justamente por ter combinado de forma espontânea e saudável o cavaquinho, a flauta, a guitarra e o computador. (Recife – Pernambuco) - Site

- Grandes Infiéis (2005) – Violins: Goiás parecia ser um estado sem tradições roqueiras. Eis que surge o Violins com um segundo disco recheado de guitarras harmônicas e pesadas, bastante melodioso e com letras cínicas que falam de angústias e que a sua forma questionam algumas mazelas sociais. (Goiânia – Goiás) - Site

- Los Porongas (2007) – Los Porongas: É um disco que não apresenta nenhuma novidade, pelo contrário, remete a um passado que atualmente todos parecem fazer questão de negar, que são os 80’s. Um disco bem à época, com pegada forte, letras subjetivas e as vezes até mesmo messiânicas. Colocou a terra de Chico Mendes no mapa da música brasileira. (Rio Branco – Acre) - Site

- Córtex (2007) – Cravo Carbono: “Fale de sua aldeia e serás global”. E assim foi. A música regional num contexto universal. Mistura samba, guitarrada, tecnobrega e caos urbano. O Pará sem a pieguice do açaí e do tacacá. (Belém – Pará) - Site

- Acima da Chuva (2008) – Volver: Melodias fáceis e grudentas. Pop sem ser vendido, cheio de referências. Uma mostra de que Recife vai além dos bartuques, bits e misturas de ritmos. (Recife – Pernambuco) - Site

- Artista Igual Pedreiro – Macaco Bong (2008): A banda já vinha chamando atenção pelos show explosivos. O disco só veio confirmar o talento desse trio que faz rock instrumental vigoroso e eleito o melhor do ano pela revista Rolling Stone Brasil. (Cuiabá – Mato Grosso) - Site

- Mundano (2009) – Arthur Nogueira: Esse disco é um divisor de águas na música paraense. Não carrega a maldosa alcunha de “MPP” (Música Popular Paraense), nem é rock. É um disco atrevido, sofisticado e “antenado” com os dias de hoje, sem forçar a barra. (Belém – Pará) - Site

Menção honrosa aos discos:

- Eletrola (2003) – Eletrola (Belém – Pará) - Site
- O Método Túfo de Experiências (2005) - Cidadão Instigado (Fortaleza – Ceará) - Site
- Chico Corrêa & Eletronic Band (2006) – Chico Corrêa & Eletronic Band (João Pessoa – Paraíba) - Site
- A Marcha dos Invisíveis (2007) – Terminal Guadalupe (Curitiba – Paraná) - Site
- Madame Saatan (2007) – Madame Saatan (Belém – Pará) - Site
- Como Num Filme Sem Fim (2008) – Pública (Porto Alegre – Rio Grande do Sul) - Site
- Um Tributo Delinqüente (2009) – Vários (Belém – Pará) - Site
- No Chão Sem O Chão (2009) – Rômulo Fróes (São Paulo – São Paulo) - Site

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Era Um Homem de Muitas Histórias - Nasi - Vivo Na Cena




Separações são complicadas. Quando em comum acordo já existe uma dificuldade muito grande, imagine no meio de brigas, desconfianças, farpas e mágoas entre amigos e família?

Esse foi o cenário da separação da banda Ira!, onde o vocalista Nasi esteve no centro do furacão quando foi acusado de várias coisas pelo irmão/empresário e por membros do grupo. Quase três anos depois do ocorrido, agora em carreira solo ele manda um recado que vem estampado na capa do CD e DVD lançados em maio.

Nasi – Vivo na Cena faz uma revisão da carreira do cantor, com clássicos, obscuridades e a ligação com a música independente.

O Tempo Não Para de Cazuza, tem toques de blues psicodélico com pitadas floydanas. O samba Bala Com Bala de João Bosco e Aldir Blanc, gravado por Elis Regina, ganhou balanço R&B e com Marcelo Nova cantou Rockixe em homenagem a Raul Seixas.

O underground 80’s está presente. Verdades e Mentiras é do Voluntários da Pátria e do Muzak aparece Onde Estou? Esses dois grupos contaram com participação direta e indireta de Nasi na época, lá por 1984 e 1985. Também tem a versão com influência de Gang Of Four para Carne e Osso do Picassos Falsos, uma das mais lascivas músicas do rock BR.

Algumas gravações da antiga banda também foram revisitadas, como Tarde Vazia, Milhas e Milhas e Por Amor, com letra de Zé Rodrix, gravada no Acústico MTV, que ganhou pegada The Who e participação de Vanessa Krongold que nada lembra a suave mocinha do Ludov.

O vanguardista Carlos Careqa aparece com Garota de Guarulhos, versão para Jersey Girl, gravada no disco A Espera de Tom, onde Carlos faz releituras de Tom Waits. Na ponte aérea para Pernambuco, Não Caio Mais é da River Raid e do Eddie, duas músicas: Eu Só Poderia Crer, que tem letra de Fred 04 e uma versão western para Desequilíbrio, digna de trilha sonora para Tarantino ou Robert Rodriguez.

Os Irmãos do Blues também estão lá com Poeira Nos Olho e entre as inéditas, destaque para Ogum e Aqui Não É O Meu Lugar, onde o assunto é a conturbada separação do IRA!

Os produtores responsáveis pela gravação também promovem um encontro de gerações, de um lado Roy Cicala que já trabalhou com Lennon e Bowie entre outros e do outro Apollo Nove, dado as tais modernidades eletrônicas. Nos extras do DVD, comentários de cada faixa e os depoimentos de músicos e produtores revelam os muitos serviços que Nasi prestou para a música brasileira.

Esse senhor chamado Marco “Nasi” Valadão, parece ser um cara tranqüilo e brincalhão, mas que não leva desaforo pra casa. Com esse novo trabalho mostra que não está aqui a passeio, merece respeito e realmente está Vivo Na Cena, quer você goste ou não!

Se interessou:
www.nasioficial.com.br

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Rendendo o caldo – Reflexões pós Conexão Vivo Belém




Muito já se falou sobre Belém ser uma cidade musical. Não sei se antes dos anos de 1980 se falava, mas desde o final dessa década esse assunto vai e vem. Mais de 20 anos depois ele voltou a mesa de discussões em um dos debates do Conexão Vivo.

Em uma rápida contagem, podemos lembrar de festivais como Variasons, Rock 24 horas, Rock 6 horas e Cultura de Verão. Cada um pontuando um período e que de alguma forma misturava gêneros e sub-gêneros musicais. Acho que nenhum deles chegou a quinta edição, sem falar das atrações musicais em outros eventos com duração semanal, como a Feira dos Municípios.

Mesmo com esse histórico, os festivais de mostra ainda parecem ser uma grande novidade. São muito bem recebidos e lembrados com uma espécie de nostalgia, provavelmente por culpa dos grandes períodos sem esse tipo de movimentação.

Um dos grandes acertos do Conexão Vivo foi quebrar esse hiato que havia desde o Cultura de Verão (leia-se 4 ou 5 anos), não só com os shows ali na nossa cara, mas também nos colocar em contato, mesmo que pelo telão, com vários outros artistas que participaram em outras edições desse evento que tem dez anos de existência, com origem em Belo Horizonte e aportou pela primeira vez na capital paraense na iniciativa de “nacionalizar” o festival.

A estrutura montada também foi muito boa. Som claro, limpo e potente. A utilização de grua e a estação de gravação deram ar de grandeza ao evento. Adelaide Oliveira como apresentadora foi um show a parte. Misturando charme, sobriedade e jovialidade, era a ponte palco-público com roteiro em mãos e improvisos sutis. A única coisa “contra” foram os atrasos, mas isso é o de menos.

Não tem como fugir do velho clichê de que “quem ganhou foi o público”. E nada mais justo para um evento custeado pela inciativa privada, mas com muito dinheiro público de editais de leis de incentivo. O acesso gratuito e as atrações diversificadas mesclando artistas paraenses e dos outros Brasis, mostram o esforço de se fazer algo democrático não só para quem toca, mas também para quem vê e ouve.

Mídia local e nacional estavam presentes. Artistas não selecionados, prestigiaram o evento junto com o pessoal do cinema, artes plásticas, fotografia e outros agentes da “cadeia produtiva” relacionada a cultura e entretenimento.

É sempre bom parabenizar essas iniciativas, então ai vai para a Vivo que abraçou o projeto da Cria Cultura, que tem como diretor Maurílio “Kuru” Lima, um cara que parece incansável. Parabéns também a Se Rasgum Produciones que mais uma vez esteve envolvida em um projeto com essa relevância, diversificando o portfólio de ações e parabéns para as bandas e público!

Vamos torcer para que mais eventos como esse se tornem “rotineiros” por aqui, torcer também para que as instituições públicas competentes saiam um pouco mais do discurso de justificativa pelo que não feito e execute soluções. E por último, torcer para que esse sentimento de nostalgia seja direcionado a edições anteriores e não para ausência.

domingo, 13 de junho de 2010

Conexão Vivo Belém - Terceira Noite


Belém, dias 11, 12 e 13 de junho

É difícil pedir para que a chuva não caia em Belém durante três dias seguidos ou pelo menos que caia em um horário que não atrapalhe o bom andamento das coisas? Era isso que eu pensava enquanto esperava um cachorro-quente na praça de Sé, e olhando pro céu, esperando que a qualquer momento ele desabasse.

Poucos metros dali, os mineiros do Cantaventoré estavam no palco já com Sebastião Tapajós como convidado. Ainda deu para ouvir duas ou três músicas e algumas levadas de tambores, violão e flauta que vinham do palco montado na beira do rio Guamá.

Quando finalmente caminhava em direção ao palco, já para início da apresentação da cantora paraense Olívia Magno o céu desabou, e até o final da apresentação que muito lembrou a enxurrada de bandas que nos anos 90 se proliferaram na cidade, como Fruta Quente e Fazendo Arte entre outras, foi um jogo de “corre e se esconde da chuva”.

Quando a chuva deu trégua, a preparação do palco para o show da carioca Nina Becker ainda não havia terminado. Empunhando baquetas de marimba ou de um instrumento semelhante, começou a apresentação que teve como ponto alto, a presença de Gabi Amarantos para cantar Vida da banda Obina Shock e Pimenta Com Sal, de Eliakin Rufino, que por aqui foi regravada por Lucinha Bastos. No mais foi um show no máximo normal.


A quarta banda a subir ao palco foi a Falcatrua, de Minas Gerais, com um instrumental, que as vezes lembra bons momentos dos anos 80 e boas versões para músicas como Velha Roupa Colorida de Belchior e Sossego de Tim Maia, que ainda teve a participação de Kid Vinil no vocal, depois de cantar junto com os mineiros os clássicos do Magazine, como Sou Boy e Tic Tic Nervoso.

Para encerrar a noite e o evento, a banda Eddie subiu ao palco sem mais delongas para presentear o público com aquela sonoridade consagrada da música pernambucana. Público esse que mesmo menor dos três dias, se manteve presente até o final.

Se Interessou: http://www.conexaovivo.com.br


Conexão Vivo Belém – Segunda Noite

Como a noite anterior, o sábado também estava com céu aberto, calor e pouco vento no Pier da Casa das 11 Janelas. O primeiro show, programado para iniciar as 18 hs sofreu um grande atraso por conta de problemas técnicos, mesmo assim perdi a Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia, que recebeu a banda Álibi de Orfeu como convidada. Mas os comentários que ouvi foram bastante elogiosos.

A segunda apresentação foi do Sandália de Ambuá, que trouxe a Belém o samba feito no interior do Estado e que recebeu como convidado o cantor e compositor paraense Ivan Cardoso. Juntos mandaram algumas versões e músicas premiadas em festivais.

O paulista Rômulo Fróes subiu ao palco sem muito estardalhaço. A formação básica de bateria, baixo e guitarra, com algumas inserções de violão, parecia simples demais para algo diferenciado. Ledo engano! Ali estava a melancolia do samba, o timbre da psicodélia anos 70 e a atitude roqueira sem exageros. A música de Rômulo Fróes é criativa e nem sempre de fácil assimilação, mas quem soube, aproveitou uma bela apresentação. Engraçado ninguém mecionar tropicalismo em relação ao som feito por Fróes, mas, enfim...

Na sequência foi a vez de Gilvan de Oliveira subir ao palco acompanhado dos percussionaistas paraenses do Manari, que agora parece ser um quarteto. O convidado foi o cantor Marco André. No repertório a tal da “nova mpb”.

O La Pupuña é uma banda que não precisa mais provar nada pra ninguém. Uma apresentação da banda é diversão garantida. Tem a bombada gruitarra com pegada de surf music pra dançar ou simplesmemte ouvir, tem o guitarrista Felix, que sabe muito bem usar o “dialeto” de quem realmente já pisou na piçarra, e desta vez, também teve a participação de um projeto musical chamado Candiru Malino, que é desenvolvido com crianças no bairro do PAAR, uma das maiores "favelas" do Brasil, que tem como atração principal o jovem Vinicius de 10 anos. O garoto ainda não é um guitarreiro virtose mas já está no caminho. Espero que os boatos de que o La Pupuña vai acabar não passem de falácia.

No encerramento da festa de sábado, Gabi Amarantos subiu ao palco como Gabi Amarantos junto com o seu Tecnoshow, o que pareceu ótimo. Sem a palhaçada de pseudônimos jornalísticos que não contribuem em nada para a carreira dela. Pra dançar o tecnobrega é preciso preparo físico e 98% das pessoas que estavam ali mostraram que estão com ótimo fôlego, já que dançaram do início ao fim e cantaram juntos uma sequência de sucessos do gênero.

Mais uma bela noite que pra muitos terminou na festa de dia dos namorados da Se Rasgum, ali pertinho do Pier, com a banda carioca Do Amor e discotecagem de Kid Vinil.

sábado, 12 de junho de 2010

Conexão Vivo Belém - Primeira Noite


Pra variar, dia quente e abafado na capital paraense. Já atrasado como de costume, mas a caminho do Pier da Casa das 11 janelas, lembrei do comentário do Marcelo Damaso, da Dançum Se Rasgum, produtora local do Conexão Vivo Belém, de que o dia tava com um clima bacana pro evento.

Ao chegar na praça da Sé, me deparei com um grande palco, acho que montado pela Prefeitura Municipal por conta da copa do mundo ou algo do tipo, quase me leva ao engano. Então caminhei para o local certo, imaginando que tinha perdido pelo menos duas das cinco atrações programadas, mas cheguei bem no início da apresentação do Minibox Lunar.

Instrumental bem ensaiado, melodias leves e duas belas vocalistas no estilo “hippie” , e uma lista de elogios ansiosos de algumas pessoas que movimentam a cena independente, os amapaenses subiram no palco e fizeram uma apresentação bem redondinha para pouco público que chegava e se amontoava na frente do palco.

Na sequência, o instrumental dos veteranos paraenses do Zarabatana Jazz, apresentação que teve como convidada a cantora Dayse Addario. Não sei se seria exagero dizer que é algo que transita pelo smooth jazz dos anos 80, mas o som com certeza é tecnicamente bem tocado e o Zarabatana tem seu nome escrito na história da música instrumental paraense.

Quem também chegou com o “hypometro” elevado, foram os acreanos do Caldo de Piaba, com um instrumental transitando entre a guitarrada e o rock ‘n’ roll, recebeu como convidados os guitarristas paraenses Leo Chermont e Pio Lobato. Essa apresentação foi um bom esquenta para o que viria para o encerramento da noite.

O artistas mineiros Sérgio Santo e Zé Renato fizeram uma espécie de lounge, tranquilizando um pouco o clima da apresentação antereior. Destilaram um repertório de clássicos da “mpb” ao melhor estilo “som do barzinho”.

Para fechar a primeira noite do Conexão Vivo em Belém, subiu ao palco o Circuito Floresta Sonora que agrega arstitas ligados ao Casarão Cultural Floresta Sonora. De início, o contra-baixista MG Calibre se mostrou um verdadeiro Mestre de Cerimônias, e mandaram ver em uma fusão de sons conectando a Amazônia com o resto do mundo.

O clima esquentou mais quando o maior entertainer paraense da atualidade, Juca Culatra subiu ao palco e agitou a galera com seu “Crioulo doido, muito doido da cabeça”, “Brocolis” e pelo que pude entender, algo com surubas de dinissauros. Juca mais uma vez mostrou que é um cara pra shows grandes, festivais, negando um pouco a linha de “pequenos circuitos” pregada pelos independentes.

Quando Pantoja do Pará, Manezinho do Sax e Pipira do Trombone colocaram as Metaleiras da Amazônia, para somar ao Floresta Sonora, era sinal de que a festa deveria terminar em grande estilo e com um dos muitos sotaques paraenses. Vale destacar, também, a evolução do guitarrista Leo Chermont, bem mais a seguro e a vontade no palco.

A estrutura montada para o evento está muito boa, com transmissão ao vivo pelo portal do projeto, com o belo auxílio da produção local. Uma noite de clichês, pasteurizações, modernidades, camisa preta, bicho grilo e salto alto, confirmou que a hibridização é a nova ordem da estética musical. A segunda noite promete!

Se Interessou:
http://www.conexaovivo.com.br

terça-feira, 8 de junho de 2010

Movimenta Belém!


Com que roupa eu vou?

Belém/PA está (mais uma vez) se acostumando com a movimentação de festas e eventos. Desde o segundo semestre de 2009, coletivos e produtoras como Mondo, Hype, Frica, Meachuta, Pogobol, Durango 95, Megafônica, Baile Tropical, This Is Radio Trash, Sonique Produções e os veteranos da Se Rasgum arregaçaram as mangas e criaram opções diversificadas que fogem um pouco do esquema “mais do mesmo”. Um dos pequenos exemplos disso é o final de semana que vai de 10 a 13 de junho, é mais ou menos assim:

Até dia 10: 9ª edição do Caixa de Criadores. Evento que reúne várias grifes de roupas e assessórios. Na Estação das Docas.

Dia 10: MONDO. Festa voltada ao segmento eletrônico, no Amnésia Pub.


Dia 10: O Coletivo Megafônica apresenta: Caldo de Piaba (AC) + Sincera, The Baudelaires + La Orchestra Invisível Djs Pogobol. No Café Com Arte.


Dia 11: Coletivo Pogobol apresenta: Baile dos Capuletos com as bandas The Baudelaires, Paris Rock e Minibox Lunar (AP) + Djs Eric rkr, Yasmin, Luah e Samir Oliveira.

Dia 11: Baile Tropical com as misturas e batidões dos Djs Patrick Tor4, Bernardo Pinheiro, Bina Jares e Tudo/SP. No Boteco São Matheus.


Dia 12: A Se Rasgum faz a festa do dia dos namorados com a banda Do Amor (RJ) + DJs Kid Vinil (SP) + Aninha e Tathi (PE), no Açaí Biruta.

Nos dias 11, 12 e 13: Conexão Vivo em Belém. O Pier das Onze Janelas volta a receber o grande evento com artistas nacionais e locais, a céu aberto e de graça! Confira a programação:

Sexta, 11.06:
19h – Minibox Lunar (AP)

20h – Zarabatana Jazz convida Dayse Adário

21h – Caldo de Piaba (AC) convida Pio Lobato (PA) e Leo Chermont (PA)
22h – Sérgio Santos (MG) convida Zé Renato (MG)
23h – Floresta Sonora Metaleiras da Amazônia Juca Culatra (PA)


Sábado, 12.06:

18h – Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia (PA)

19h – Sandália de Ambuá (PA)

20h – Romulo Fróes (SP)
21h – Gilvan de Oliveira (MG) convida Nilson Chaves (PA)

22h – La Pupuña (PA)

23h – Gabi Amarantos (PA)


Domingo, 13.06:

19h – Cataventoré (MG) convida Sebastião Tapajós

20h – Olyvia Magno (PA)

21h – Nina Becker (RJ)
22h – Falcatrua (MG) convida Kid Vinil (SP)

23h – Eddie (PE)

O Projeto Conexão Vivo ainda passará pelas cidades de Castanhal e Marabá, no Estado do Pará, com produção local da Dançum Se Rasgum


Como disse, essa foi só uma pequena mostra, com certeza nos próximos finais de semana tem mais!