terça-feira, 29 de setembro de 2009

A mais tribal de todas as festas


Balanço do Rock 19 anos - Tributo Delinquentes

Em dia de aniversário, normalmente é o aniversariante quem ganha o presente. Organiza a festa, oferece os comes e bebes, apaga a velinha, mas recebe a lembrancinha de mais um ano de vida. O programa Balanço do Rock está completando dezenove anos e nessa festa diferente, presenteia os ouvintes com um tributo, mais que merecido, à banda hardcore Delinqentes.

Uma vez, o produtor e apresentador do Balanço, Beto Fares, disse que o Jayme Katarro (vocalista do Delinqüentes) é um agregador. Que é fácil ver o Jayme cercado de várias pessoas, dos mais variados estilos musicais, convivendo ali em harmonia. É esse bom relacionamento que dá o tom ao tributo. São dez faixas representadas por bandas e artistas com diferentes sonoridades.

O Suzana Flag recriou Planeta dos Macacos, numa levada bem pop, com direito a um vocal “ah,ah,uh,uh”, que vai funcionar muito quando for tocada ou ao vivo ou em festas. O “hino” Delinqüentes encontrou os beats do Pro.efX e o vocal rappeado de Bruno B.O. A gravação que mais se aproxima do original é a clássica Gueto, refeita pela banda metalcore DHD. O Turbo deixou a também clássica O Viciado, com uma pegada de rock ‘n’ roll garageiro e com uma leve pitada de Black Sabbath. Para Vagamundo, o Sincera fez um freejazz pesado com a participação de Daniel Delatuche no trompete.

O projeto Massa Grossa, com Pio Lobato, Iva Rothe, Priamo Brandão e Vovô, pegou o “swing” regional, colocou eletro e uma certa tensão em L’uomo Delinqüentes. O Aeroplano criou um clima assustadoramente suicida na versão para Um Belo Dia Pra Morrer, com instrumental low-fi e melodia entediada. O Coisa de Ninguém misturou hardcore, ska, quebradeira de bateria e solos de guitarra para reapresentar Cicatrizes de Guerra. O som industrial era a forma natural de reinventar Fábrica, e ninguém melhor pra fazer isso que o ION. Ana Clara Matos, acompanhada de Jack Nilson (Stereoscope) no violão e Rafael Barros (Arraial do Pavulagem) na percussão, fez de Utopia Milenar um samba quebrado e experimental, deixando em contraste a densidade da letra com a suavidade vocal.

Essa pequena pérola foi lapidada no estúdio Edgar Proença com gravação e mixagem de Ulysses Moreira, produção musical de Beto Fares, produção artística de Regina Silva e projeto gráfico de John Bogea. Houve uma primeira audição das músicas no Balanço do Rock, dia 27 de setembro, com a participação de quase todas as bandas que estão no tributo mais os homenageados. Uma verdadeira festa! Sábado dia 3 de outubro, haverá uma apresentação ao vivo para rádio e TV as 3 da tarde, primeiro com as bandas e depois com os Delinquentes.

Assim que começar o programa, o disco será disponibilizado para download no blog do Azul (http://musicaparaense.blogspot.com/), grande agitador cultural de Belém.

É difícil encontrar um roqueiro que ainda não tenha sintonizado a Cultura FM às quatro da tarde. Uma parte da história da produção roqueira (e afins) de Belém, e do Estado, passou e passam pelo programa, que já teve como apresentadoras Úrsula Vidal e Linda Ribeiro. Beto Fares está no barco desde o início, primeiro como programador, depois produtor e mais de 10 anos como apresentador.

Parabéns Beto, Delinqüentes, bandas/artistas e Balanço. Obrigado por continuarem alimentando “esse zumbi que se arrasta pelos subterrâneos da cidade”.

Confira aqui um pedacinho do making off da gravação do tributo

** De última hora, chegou a informação de
que a banda Madame Saatan, gravou uma versão direto de sampacity.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Tudo parece ser tão real, mas você viu esse filme também.




Provavelmente todo mundo deve lembrar o que estava fazendo por volta de nove da manhã em 11 de setembro de 2001, quando as emissoras começaram a noticiar os atentados ao WTC. Muitas pessoas morreram e a “sensação de insegurança” se espalhou até em paises que não tem nenhum histórico de conflitos nesse sentido. A partir daí iniciou a guerra contra o terrorismo.

No cinema, essa guerra já havia começado bem antes, em 1994 quando o terrorista Ryan Gaerity foge de uma prisão na Irlanda do Norte, vai para os EUA e se depara com Jimmy Dove, membro do esquadrão anti-bombas de Boston. Tommy Lee Jones é o terrorista e Jeff Bridges o policial, e travam uma batalha em cenas de muita ação, adrenalina, explosões e morte de civís. Contagem Regressiva foi dirigido por Stephen Hopkins e também trás no elenco Forest Whitaker, ganhador do oscar de melhor ator pelo papel de Idi Amin Dada no filme O último Rei da Escócia. A trilha sonora é embalada pelos Irlandeses do U2.

No ano de 1999, dois anos antes dos ataques ao WTC e Pentágono, Jeff Bridgs voltou às telas mais uma vez com um filme sobre terrorismo. Em O Suspeito da Rua Arlington, ele é um professor de história que depois da morte da esposa, passa a detonar o sistema de inteligência dos órgãos de segurança nos EUA. Cria amizade com os novos vizinhos interpretados por Tim Robbins e Joan Cusack. Psicótico ele começa a achar que seus vizinhos têm um plano para explodir um prédio público e que são, na verdade, terroristas. Um filme cheio de suspense que teve direção de Mark Pellington.

Em várias passagens de O Suspeito da Rua Arlington, o professor fala para os alunos de erros de estratégia do FBI ao analisar informações sobre possíveis ataques terroristas e a omissão política diante do fato já consumado. Algo parecido com o que aconteceu depois dos atentados da vida real, quando as autoridades afirmaram ter conhecimento do plano, não fizeram nada e o governo iniciou uma guerra que muitos julgam sem pé nem cabeça como desculpa para capturar o culpado.

O 11 de setembro de 2001 é a data que todos lembram como “o dia do medo” e abriu um filão para indústria cinematográfica americana, com vários filmes sobre o atentado, sobre a guerra que veio depois, sobre perda e pânico. Em sua maioria, reforçam o espírito patriótico do Tio Sam.

Os anteriores, Contagem Regressiva e O Suspeito da Rua Arlington, são voltados para a questão em si, e já apontavam o medo velado que existia, usando acontecimentos da época e quem sabe anunciando o que poderia vir pela frente.

A realidade que supera a ficção?!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Os meus valores já não valem mais pra você! - Banda Sincera


João, Guitarra, Banda Sincera

Quantas vezes já ouvimos a história: quatro garotos se conhecem, por coincidência cada um toca um instrumento, alguém canta e isso acaba em uma banda?

Essa situação parece ser lei, principalmente entre as bandas de rock. É um início tão comum quanto o celebre final “e eles viveram felizes para sempre”. Muitos começaram assim, amigos reunidos para se divertir tocando o que gostam e a banda Sincera é mais um personagem dessa história.

Quatro amigos, vontade de fazer música, sonzeira pesada e bem arranjada. O baixo garageiro de Pedro e a bateria segura de Júnior fazem a cozinha para deixar a linha de frente solta. João manda uns riffs de guitarra matadores e faz um jogo de vocais com Daniel, que as vezes lembra a “Plebe”, ora falando de amor, ora crises existenciais e comportamento.

No início havia um burburinho de que o Sincera era uma banda emo. Confesso que me deixei levar e ignorei mesmo o som dos caras, até receber das mãos do guitarrista um EP com seis músicas, que foi escutado a caminho do trabalho numa manhã ensolarada de sábado.

Nas seletivas para o 4° Festival Se Rasgum, a banda chegou sem muita conversa e fez duas apresentações explosivas. Realmente todos os clichês do bom e velho (e zumbi?!) rock ‘n’ roll estavam ali, desde a performance de palco até a adrenalina no público.

Não sei mais dizer o que é “hippie, punk ou hajneesh”. Não sei se o Sincera é emo ou coisa parecida. Mas afinal, isso é realmente importante? Sei que pelo meu preconceito quase deixo de conhecer uma banda legal.

Um dia percebi que a banda já tinha me chamado atenção, antes mesmo de ouvir falar neles. Lembrei que no 1° Se Rasgum (ainda “no Rock”) entre uma música e outra, Diogo Soares do Los Porongas cantarolou: “duvidar do destino e desistir de novo, os defeitos são mais fortes que a vontade de tentar, tanta coisa, tanto tempo, por mais tempo a falar...”, depois falou de um irmão que morava em Belém e tinha duas bandas...

Existe um longo caminho pela frente com altos e baixos, alegrias e decepções. Mantendo a amizade e o profissionalismo que demonstram as coisas acontecerão naturalmente, pelo menos assim espero. Sucesso!

Mais Sincera em: www.myspace.com/sincerarock