O caos urbano é uma realidade em grande parte das capitais. Cidades que cresceram sem a estrutura necessária para aguentar a movimentação de pessoas e veículos. Nessa esquizofrenia diária, relaxar é o que mais se quer e o que menos se consegue.
Preso naquele famoso engarrafamento do final de tarde, não adianta estressar. O jeito é ligar o som e esperar. Uma boa companhia nessa hora pode ser a cantora e compositora Iva Rothe, com seu mais novo disco Aparecida.
Lançado oficialmente dia 06.03, o disco é o terceiro da artista e traz doze músicas que passeiam por várias sonoridades, abrindo com a relaxante Água, cheia de ecos, e um trabalho de marimba simulando pingos. A música começa com o refrão “água lava, água leva, água livra, água louva, água cai como luva em mim/ água cai bebo chuva” que repete feito um mantra, gênero ao qual Iva dedicou seu segundo disco.
Na seqüência, a dobradinha Fortuna Real e Sereia tem o groove do carimbó e pegada regional caliente da guitarrada. Vídia é uma música tranquilinha, radiofônica por excelência, meio balada/bossa nova.
O disco segue com Blues Ao Inverso. A levada no contratempo faz parecer uma música circense que vira um suave reggae. Passante tem introdução e refrão meio surfmusic e miolo meio jovem guarda/brega. Mano a Mano é a sétima música, com balanço black music.
Dois Peixes também é uma balada, que alterna uma certa suavidade etérea e pesos de guitarra distorcida, que ao acabar dá lugar aos batuques tribais de Pintado A Mão, num cantar falado que remete ao povo indígena.
A música que dá nome ao disco alterna pop, reggae e samba. Nessa música ficam evidentes os samplers que permeiam todas as faixas e que culmina na experimental Desaparecida, com colagens de entrevistas e algumas inserções instrumentais.
Finalizando o disco, Uma Canção também é uma balada com guitarras distorcidas, que apesar de declarar “fiz uma canção pra você/é tudo que eu posso dizer/enfim, folia, tua noite derramando estrelas em meus dias”, tem cara de despedida.
Participaram das gravações as bandas Suposto Projeto, Aeroplano e Clepsidra. O arranjador e instrumentista Gileno Foinquinos, o percussionista Ricardo Aquino, Trio Manari, o violinista Akel Akel e o Trio de Metais. Beto Fares foi o responsável pela produção e Pio Lobato como co-produtor.
A concepção de Aparecida foi desenvolvida com trabalho que envolveu uma série de entrevistas indagando: Toda Mulher é ou não é aparecida? Assim é um disco conceitual abordando o universo feminino, e também é pop no puro sentido. São vários ritmos com charme, sofisticação e suavidade.


0 comentários:
Postar um comentário