segunda-feira, 5 de abril de 2010

Por isso na primeira vez dói.

Otto - Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (2010)


Um clássico da literatura mundial com certeza serve de influência para "n" artistas, que tomam a obra como ponto de partida para desenvolver seus trabalhos. No decorrer da carreira, uns conseguem desapegar, outros não. Se isso é bom ou ruim, só a história dirá.
Ao ler a frase "Certa Manhã Acordei De Sonhos Intranquilos", você pode ser levado por caminhos diferentes que chegam ao mesmo lugar, a dor de existir. Um sugerido por Franz Kafka, que criou uma história absurdamente incrível, para ilustrar aqueles dias em que a gente acorda se sentindo uma barata, no livro A Metamorfose. O outro caminho, foi oferecido pelo cantor pernambucano Otto.
Esse novo disco, lançando no apagar das luzes do último ano da década passada é carregado de melancolia em dez músicas, mesmo quando se trata de homenagem a Iemanjá, rainha do mar, nesse caso representada por Janaina.
O tom de saudade e tristeza continua nas regravações para "Naquela Mesa", de Sérgio Bittencourt, composta em homenagem ao pai, Jacob do Bandolin, imortalizada na voz de Nelson Gonçalves, e "Lágrimas Negras", que já foi gravada por Gal Costa, e composta por Nelson Jacobina e Jorge Mautner, com participação especial de Julieta Venegas, que volta na música "Saudade". Ainda nas participações especiais estão a paulista Céu, em "Leite Derramado" e um comportado Lirinha, declamando na música "Meu Mundo".
Nos versos “Não precisa falar, nem saber de mim, pois até pra morrer você tem que existir/ Nasceram flores no canto de um quarto escuro, mas eu te juro, são flores de um outro inverno” do blues 6 Minutos, Otto parece exorcizar fantasmas. Uma espécie de recado, desabafo, uma terapia.
Certa Manhã Acordei De Sonhos Intranqüilos reúne grande parte do que foi notícia na música independente nos últimos 10 anos, com eletro, batuque, regravações de sucessos populares e o trio Dengue, Pupilo e Fernando Catatau que apareceram freqüentemente com suas bandas ou produzindo discos.
O experimentalismo dos discos anteriores também está presente, de forma discreta, ajudando no contexto geral da tristeza em que Otto mergulhou e se inspirou para fazer de seu 4º disco, até então, seu trabalho mais redondo e maduro.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. um dos discos mais comemorados desse ano que começou não poderia ter ficado de fora do veia pop. otto realmente fala de dor de amor. é tudo tão melancólico que e estranhei a falta daquela bagunça pulsante do cara. mas há momentos memoráveis. janaína e, sobretudo, a versão para lágrimas negras. coisa fina!

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  3. http://musica.ig.com.br/entrevistas/2010/03/01/em+conversa+franca+otto+confessa+alcoolismo+9412521.html

    leste? entrevista do otto. grande entrevista.

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