quarta-feira, 23 de junho de 2010

Era Um Homem de Muitas Histórias - Nasi - Vivo Na Cena




Separações são complicadas. Quando em comum acordo já existe uma dificuldade muito grande, imagine no meio de brigas, desconfianças, farpas e mágoas entre amigos e família?

Esse foi o cenário da separação da banda Ira!, onde o vocalista Nasi esteve no centro do furacão quando foi acusado de várias coisas pelo irmão/empresário e por membros do grupo. Quase três anos depois do ocorrido, agora em carreira solo ele manda um recado que vem estampado na capa do CD e DVD lançados em maio.

Nasi – Vivo na Cena faz uma revisão da carreira do cantor, com clássicos, obscuridades e a ligação com a música independente.

O Tempo Não Para de Cazuza, tem toques de blues psicodélico com pitadas floydanas. O samba Bala Com Bala de João Bosco e Aldir Blanc, gravado por Elis Regina, ganhou balanço R&B e com Marcelo Nova cantou Rockixe em homenagem a Raul Seixas.

O underground 80’s está presente. Verdades e Mentiras é do Voluntários da Pátria e do Muzak aparece Onde Estou? Esses dois grupos contaram com participação direta e indireta de Nasi na época, lá por 1984 e 1985. Também tem a versão com influência de Gang Of Four para Carne e Osso do Picassos Falsos, uma das mais lascivas músicas do rock BR.

Algumas gravações da antiga banda também foram revisitadas, como Tarde Vazia, Milhas e Milhas e Por Amor, com letra de Zé Rodrix, gravada no Acústico MTV, que ganhou pegada The Who e participação de Vanessa Krongold que nada lembra a suave mocinha do Ludov.

O vanguardista Carlos Careqa aparece com Garota de Guarulhos, versão para Jersey Girl, gravada no disco A Espera de Tom, onde Carlos faz releituras de Tom Waits. Na ponte aérea para Pernambuco, Não Caio Mais é da River Raid e do Eddie, duas músicas: Eu Só Poderia Crer, que tem letra de Fred 04 e uma versão western para Desequilíbrio, digna de trilha sonora para Tarantino ou Robert Rodriguez.

Os Irmãos do Blues também estão lá com Poeira Nos Olho e entre as inéditas, destaque para Ogum e Aqui Não É O Meu Lugar, onde o assunto é a conturbada separação do IRA!

Os produtores responsáveis pela gravação também promovem um encontro de gerações, de um lado Roy Cicala que já trabalhou com Lennon e Bowie entre outros e do outro Apollo Nove, dado as tais modernidades eletrônicas. Nos extras do DVD, comentários de cada faixa e os depoimentos de músicos e produtores revelam os muitos serviços que Nasi prestou para a música brasileira.

Esse senhor chamado Marco “Nasi” Valadão, parece ser um cara tranqüilo e brincalhão, mas que não leva desaforo pra casa. Com esse novo trabalho mostra que não está aqui a passeio, merece respeito e realmente está Vivo Na Cena, quer você goste ou não!

Se interessou:
www.nasioficial.com.br

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Rendendo o caldo – Reflexões pós Conexão Vivo Belém




Muito já se falou sobre Belém ser uma cidade musical. Não sei se antes dos anos de 1980 se falava, mas desde o final dessa década esse assunto vai e vem. Mais de 20 anos depois ele voltou a mesa de discussões em um dos debates do Conexão Vivo.

Em uma rápida contagem, podemos lembrar de festivais como Variasons, Rock 24 horas, Rock 6 horas e Cultura de Verão. Cada um pontuando um período e que de alguma forma misturava gêneros e sub-gêneros musicais. Acho que nenhum deles chegou a quinta edição, sem falar das atrações musicais em outros eventos com duração semanal, como a Feira dos Municípios.

Mesmo com esse histórico, os festivais de mostra ainda parecem ser uma grande novidade. São muito bem recebidos e lembrados com uma espécie de nostalgia, provavelmente por culpa dos grandes períodos sem esse tipo de movimentação.

Um dos grandes acertos do Conexão Vivo foi quebrar esse hiato que havia desde o Cultura de Verão (leia-se 4 ou 5 anos), não só com os shows ali na nossa cara, mas também nos colocar em contato, mesmo que pelo telão, com vários outros artistas que participaram em outras edições desse evento que tem dez anos de existência, com origem em Belo Horizonte e aportou pela primeira vez na capital paraense na iniciativa de “nacionalizar” o festival.

A estrutura montada também foi muito boa. Som claro, limpo e potente. A utilização de grua e a estação de gravação deram ar de grandeza ao evento. Adelaide Oliveira como apresentadora foi um show a parte. Misturando charme, sobriedade e jovialidade, era a ponte palco-público com roteiro em mãos e improvisos sutis. A única coisa “contra” foram os atrasos, mas isso é o de menos.

Não tem como fugir do velho clichê de que “quem ganhou foi o público”. E nada mais justo para um evento custeado pela inciativa privada, mas com muito dinheiro público de editais de leis de incentivo. O acesso gratuito e as atrações diversificadas mesclando artistas paraenses e dos outros Brasis, mostram o esforço de se fazer algo democrático não só para quem toca, mas também para quem vê e ouve.

Mídia local e nacional estavam presentes. Artistas não selecionados, prestigiaram o evento junto com o pessoal do cinema, artes plásticas, fotografia e outros agentes da “cadeia produtiva” relacionada a cultura e entretenimento.

É sempre bom parabenizar essas iniciativas, então ai vai para a Vivo que abraçou o projeto da Cria Cultura, que tem como diretor Maurílio “Kuru” Lima, um cara que parece incansável. Parabéns também a Se Rasgum Produciones que mais uma vez esteve envolvida em um projeto com essa relevância, diversificando o portfólio de ações e parabéns para as bandas e público!

Vamos torcer para que mais eventos como esse se tornem “rotineiros” por aqui, torcer também para que as instituições públicas competentes saiam um pouco mais do discurso de justificativa pelo que não feito e execute soluções. E por último, torcer para que esse sentimento de nostalgia seja direcionado a edições anteriores e não para ausência.

domingo, 13 de junho de 2010

Conexão Vivo Belém - Terceira Noite


Belém, dias 11, 12 e 13 de junho

É difícil pedir para que a chuva não caia em Belém durante três dias seguidos ou pelo menos que caia em um horário que não atrapalhe o bom andamento das coisas? Era isso que eu pensava enquanto esperava um cachorro-quente na praça de Sé, e olhando pro céu, esperando que a qualquer momento ele desabasse.

Poucos metros dali, os mineiros do Cantaventoré estavam no palco já com Sebastião Tapajós como convidado. Ainda deu para ouvir duas ou três músicas e algumas levadas de tambores, violão e flauta que vinham do palco montado na beira do rio Guamá.

Quando finalmente caminhava em direção ao palco, já para início da apresentação da cantora paraense Olívia Magno o céu desabou, e até o final da apresentação que muito lembrou a enxurrada de bandas que nos anos 90 se proliferaram na cidade, como Fruta Quente e Fazendo Arte entre outras, foi um jogo de “corre e se esconde da chuva”.

Quando a chuva deu trégua, a preparação do palco para o show da carioca Nina Becker ainda não havia terminado. Empunhando baquetas de marimba ou de um instrumento semelhante, começou a apresentação que teve como ponto alto, a presença de Gabi Amarantos para cantar Vida da banda Obina Shock e Pimenta Com Sal, de Eliakin Rufino, que por aqui foi regravada por Lucinha Bastos. No mais foi um show no máximo normal.


A quarta banda a subir ao palco foi a Falcatrua, de Minas Gerais, com um instrumental, que as vezes lembra bons momentos dos anos 80 e boas versões para músicas como Velha Roupa Colorida de Belchior e Sossego de Tim Maia, que ainda teve a participação de Kid Vinil no vocal, depois de cantar junto com os mineiros os clássicos do Magazine, como Sou Boy e Tic Tic Nervoso.

Para encerrar a noite e o evento, a banda Eddie subiu ao palco sem mais delongas para presentear o público com aquela sonoridade consagrada da música pernambucana. Público esse que mesmo menor dos três dias, se manteve presente até o final.

Se Interessou: http://www.conexaovivo.com.br


Conexão Vivo Belém – Segunda Noite

Como a noite anterior, o sábado também estava com céu aberto, calor e pouco vento no Pier da Casa das 11 Janelas. O primeiro show, programado para iniciar as 18 hs sofreu um grande atraso por conta de problemas técnicos, mesmo assim perdi a Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia, que recebeu a banda Álibi de Orfeu como convidada. Mas os comentários que ouvi foram bastante elogiosos.

A segunda apresentação foi do Sandália de Ambuá, que trouxe a Belém o samba feito no interior do Estado e que recebeu como convidado o cantor e compositor paraense Ivan Cardoso. Juntos mandaram algumas versões e músicas premiadas em festivais.

O paulista Rômulo Fróes subiu ao palco sem muito estardalhaço. A formação básica de bateria, baixo e guitarra, com algumas inserções de violão, parecia simples demais para algo diferenciado. Ledo engano! Ali estava a melancolia do samba, o timbre da psicodélia anos 70 e a atitude roqueira sem exageros. A música de Rômulo Fróes é criativa e nem sempre de fácil assimilação, mas quem soube, aproveitou uma bela apresentação. Engraçado ninguém mecionar tropicalismo em relação ao som feito por Fróes, mas, enfim...

Na sequência foi a vez de Gilvan de Oliveira subir ao palco acompanhado dos percussionaistas paraenses do Manari, que agora parece ser um quarteto. O convidado foi o cantor Marco André. No repertório a tal da “nova mpb”.

O La Pupuña é uma banda que não precisa mais provar nada pra ninguém. Uma apresentação da banda é diversão garantida. Tem a bombada gruitarra com pegada de surf music pra dançar ou simplesmemte ouvir, tem o guitarrista Felix, que sabe muito bem usar o “dialeto” de quem realmente já pisou na piçarra, e desta vez, também teve a participação de um projeto musical chamado Candiru Malino, que é desenvolvido com crianças no bairro do PAAR, uma das maiores "favelas" do Brasil, que tem como atração principal o jovem Vinicius de 10 anos. O garoto ainda não é um guitarreiro virtose mas já está no caminho. Espero que os boatos de que o La Pupuña vai acabar não passem de falácia.

No encerramento da festa de sábado, Gabi Amarantos subiu ao palco como Gabi Amarantos junto com o seu Tecnoshow, o que pareceu ótimo. Sem a palhaçada de pseudônimos jornalísticos que não contribuem em nada para a carreira dela. Pra dançar o tecnobrega é preciso preparo físico e 98% das pessoas que estavam ali mostraram que estão com ótimo fôlego, já que dançaram do início ao fim e cantaram juntos uma sequência de sucessos do gênero.

Mais uma bela noite que pra muitos terminou na festa de dia dos namorados da Se Rasgum, ali pertinho do Pier, com a banda carioca Do Amor e discotecagem de Kid Vinil.

sábado, 12 de junho de 2010

Conexão Vivo Belém - Primeira Noite


Pra variar, dia quente e abafado na capital paraense. Já atrasado como de costume, mas a caminho do Pier da Casa das 11 janelas, lembrei do comentário do Marcelo Damaso, da Dançum Se Rasgum, produtora local do Conexão Vivo Belém, de que o dia tava com um clima bacana pro evento.

Ao chegar na praça da Sé, me deparei com um grande palco, acho que montado pela Prefeitura Municipal por conta da copa do mundo ou algo do tipo, quase me leva ao engano. Então caminhei para o local certo, imaginando que tinha perdido pelo menos duas das cinco atrações programadas, mas cheguei bem no início da apresentação do Minibox Lunar.

Instrumental bem ensaiado, melodias leves e duas belas vocalistas no estilo “hippie” , e uma lista de elogios ansiosos de algumas pessoas que movimentam a cena independente, os amapaenses subiram no palco e fizeram uma apresentação bem redondinha para pouco público que chegava e se amontoava na frente do palco.

Na sequência, o instrumental dos veteranos paraenses do Zarabatana Jazz, apresentação que teve como convidada a cantora Dayse Addario. Não sei se seria exagero dizer que é algo que transita pelo smooth jazz dos anos 80, mas o som com certeza é tecnicamente bem tocado e o Zarabatana tem seu nome escrito na história da música instrumental paraense.

Quem também chegou com o “hypometro” elevado, foram os acreanos do Caldo de Piaba, com um instrumental transitando entre a guitarrada e o rock ‘n’ roll, recebeu como convidados os guitarristas paraenses Leo Chermont e Pio Lobato. Essa apresentação foi um bom esquenta para o que viria para o encerramento da noite.

O artistas mineiros Sérgio Santo e Zé Renato fizeram uma espécie de lounge, tranquilizando um pouco o clima da apresentação antereior. Destilaram um repertório de clássicos da “mpb” ao melhor estilo “som do barzinho”.

Para fechar a primeira noite do Conexão Vivo em Belém, subiu ao palco o Circuito Floresta Sonora que agrega arstitas ligados ao Casarão Cultural Floresta Sonora. De início, o contra-baixista MG Calibre se mostrou um verdadeiro Mestre de Cerimônias, e mandaram ver em uma fusão de sons conectando a Amazônia com o resto do mundo.

O clima esquentou mais quando o maior entertainer paraense da atualidade, Juca Culatra subiu ao palco e agitou a galera com seu “Crioulo doido, muito doido da cabeça”, “Brocolis” e pelo que pude entender, algo com surubas de dinissauros. Juca mais uma vez mostrou que é um cara pra shows grandes, festivais, negando um pouco a linha de “pequenos circuitos” pregada pelos independentes.

Quando Pantoja do Pará, Manezinho do Sax e Pipira do Trombone colocaram as Metaleiras da Amazônia, para somar ao Floresta Sonora, era sinal de que a festa deveria terminar em grande estilo e com um dos muitos sotaques paraenses. Vale destacar, também, a evolução do guitarrista Leo Chermont, bem mais a seguro e a vontade no palco.

A estrutura montada para o evento está muito boa, com transmissão ao vivo pelo portal do projeto, com o belo auxílio da produção local. Uma noite de clichês, pasteurizações, modernidades, camisa preta, bicho grilo e salto alto, confirmou que a hibridização é a nova ordem da estética musical. A segunda noite promete!

Se Interessou:
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terça-feira, 8 de junho de 2010

Movimenta Belém!


Com que roupa eu vou?

Belém/PA está (mais uma vez) se acostumando com a movimentação de festas e eventos. Desde o segundo semestre de 2009, coletivos e produtoras como Mondo, Hype, Frica, Meachuta, Pogobol, Durango 95, Megafônica, Baile Tropical, This Is Radio Trash, Sonique Produções e os veteranos da Se Rasgum arregaçaram as mangas e criaram opções diversificadas que fogem um pouco do esquema “mais do mesmo”. Um dos pequenos exemplos disso é o final de semana que vai de 10 a 13 de junho, é mais ou menos assim:

Até dia 10: 9ª edição do Caixa de Criadores. Evento que reúne várias grifes de roupas e assessórios. Na Estação das Docas.

Dia 10: MONDO. Festa voltada ao segmento eletrônico, no Amnésia Pub.


Dia 10: O Coletivo Megafônica apresenta: Caldo de Piaba (AC) + Sincera, The Baudelaires + La Orchestra Invisível Djs Pogobol. No Café Com Arte.


Dia 11: Coletivo Pogobol apresenta: Baile dos Capuletos com as bandas The Baudelaires, Paris Rock e Minibox Lunar (AP) + Djs Eric rkr, Yasmin, Luah e Samir Oliveira.

Dia 11: Baile Tropical com as misturas e batidões dos Djs Patrick Tor4, Bernardo Pinheiro, Bina Jares e Tudo/SP. No Boteco São Matheus.


Dia 12: A Se Rasgum faz a festa do dia dos namorados com a banda Do Amor (RJ) + DJs Kid Vinil (SP) + Aninha e Tathi (PE), no Açaí Biruta.

Nos dias 11, 12 e 13: Conexão Vivo em Belém. O Pier das Onze Janelas volta a receber o grande evento com artistas nacionais e locais, a céu aberto e de graça! Confira a programação:

Sexta, 11.06:
19h – Minibox Lunar (AP)

20h – Zarabatana Jazz convida Dayse Adário

21h – Caldo de Piaba (AC) convida Pio Lobato (PA) e Leo Chermont (PA)
22h – Sérgio Santos (MG) convida Zé Renato (MG)
23h – Floresta Sonora Metaleiras da Amazônia Juca Culatra (PA)


Sábado, 12.06:

18h – Orquestra Juvenil de Violoncelistas da Amazônia (PA)

19h – Sandália de Ambuá (PA)

20h – Romulo Fróes (SP)
21h – Gilvan de Oliveira (MG) convida Nilson Chaves (PA)

22h – La Pupuña (PA)

23h – Gabi Amarantos (PA)


Domingo, 13.06:

19h – Cataventoré (MG) convida Sebastião Tapajós

20h – Olyvia Magno (PA)

21h – Nina Becker (RJ)
22h – Falcatrua (MG) convida Kid Vinil (SP)

23h – Eddie (PE)

O Projeto Conexão Vivo ainda passará pelas cidades de Castanhal e Marabá, no Estado do Pará, com produção local da Dançum Se Rasgum


Como disse, essa foi só uma pequena mostra, com certeza nos próximos finais de semana tem mais!