quinta-feira, 17 de junho de 2010

Rendendo o caldo – Reflexões pós Conexão Vivo Belém




Muito já se falou sobre Belém ser uma cidade musical. Não sei se antes dos anos de 1980 se falava, mas desde o final dessa década esse assunto vai e vem. Mais de 20 anos depois ele voltou a mesa de discussões em um dos debates do Conexão Vivo.

Em uma rápida contagem, podemos lembrar de festivais como Variasons, Rock 24 horas, Rock 6 horas e Cultura de Verão. Cada um pontuando um período e que de alguma forma misturava gêneros e sub-gêneros musicais. Acho que nenhum deles chegou a quinta edição, sem falar das atrações musicais em outros eventos com duração semanal, como a Feira dos Municípios.

Mesmo com esse histórico, os festivais de mostra ainda parecem ser uma grande novidade. São muito bem recebidos e lembrados com uma espécie de nostalgia, provavelmente por culpa dos grandes períodos sem esse tipo de movimentação.

Um dos grandes acertos do Conexão Vivo foi quebrar esse hiato que havia desde o Cultura de Verão (leia-se 4 ou 5 anos), não só com os shows ali na nossa cara, mas também nos colocar em contato, mesmo que pelo telão, com vários outros artistas que participaram em outras edições desse evento que tem dez anos de existência, com origem em Belo Horizonte e aportou pela primeira vez na capital paraense na iniciativa de “nacionalizar” o festival.

A estrutura montada também foi muito boa. Som claro, limpo e potente. A utilização de grua e a estação de gravação deram ar de grandeza ao evento. Adelaide Oliveira como apresentadora foi um show a parte. Misturando charme, sobriedade e jovialidade, era a ponte palco-público com roteiro em mãos e improvisos sutis. A única coisa “contra” foram os atrasos, mas isso é o de menos.

Não tem como fugir do velho clichê de que “quem ganhou foi o público”. E nada mais justo para um evento custeado pela inciativa privada, mas com muito dinheiro público de editais de leis de incentivo. O acesso gratuito e as atrações diversificadas mesclando artistas paraenses e dos outros Brasis, mostram o esforço de se fazer algo democrático não só para quem toca, mas também para quem vê e ouve.

Mídia local e nacional estavam presentes. Artistas não selecionados, prestigiaram o evento junto com o pessoal do cinema, artes plásticas, fotografia e outros agentes da “cadeia produtiva” relacionada a cultura e entretenimento.

É sempre bom parabenizar essas iniciativas, então ai vai para a Vivo que abraçou o projeto da Cria Cultura, que tem como diretor Maurílio “Kuru” Lima, um cara que parece incansável. Parabéns também a Se Rasgum Produciones que mais uma vez esteve envolvida em um projeto com essa relevância, diversificando o portfólio de ações e parabéns para as bandas e público!

Vamos torcer para que mais eventos como esse se tornem “rotineiros” por aqui, torcer também para que as instituições públicas competentes saiam um pouco mais do discurso de justificativa pelo que não feito e execute soluções. E por último, torcer para que esse sentimento de nostalgia seja direcionado a edições anteriores e não para ausência.

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