domingo, 23 de agosto de 2015

Top 10 - Dez Discos em Dez Anos



A produção musical na primeira década, do novo milênio, no Brasil, foi marcada pela descentralização territorial e consolidação da tal “cena independente”. De todas as regiões surgiram bandas ou se fizeram ouvir acordes de lugares inusitados, com samba, pop, rock, eletro, funk e uma diversidade que provavelmente só a cultura brasileira poderia proporcionar.

Outra característica foi a distribuição desse material. Com os velhos esquemas em declínio e a já quase batida história da ajuda da internet, a música foi consumida nesses dez anos de forma, digamos, democrática. Música barata na rede, mas ainda muito cara nas prateleiras. Foi a década de uma única certeza: O futuro do mercado musical brasileiro é completamente incerto.

A quantidade de música produzida e discos lançados pode ter beirado o absurdo, assim, essa listinha “top 10” foi construída com discos, que a meu ver, representam momentos importantes desses anos que ficam para trás. Não há um vencedor ou destaque maior, cada um listado aqui ou não, tem seu grau de importância.

- O Bloco do Eu Sozinho (2001) – Los Hermanos: Um disco considerado suicídio comercial pelos magnatas da gravadora Abril Music, mas confirmou a mudança que já vinha se desenhando no mercado fonográfico brasileiro. Levou os barbas de volta ao início (quase uma banda independente) com a bolachinha vendida nos shows, inicialmente pequenos, até serem recolocados na mídia e se tornarem os grandes chatos da década após o lançamento do disco Ventura. (Rio do Janeiro – Rio de Janeiro) - Site

- Cinema Auditivo (2002) – Wado: Esse é um disco que cheira a tempero de manguebit. Pode ser, mas também antecipou a estética sonora que dominou a música brasileira na segunda metade da década. Bits, samba/funk e música de raiz em grande sintonia com o pop. (Maceió – Alagoas) - Site

- Fanzine (2003) – Suzana Flag: Uma banda de Castanhal, interior do Pará, conseguiu o que nenhuma da capital havia conseguido. Fazer um disco completamente independente, tecnicamente difícil de ser gravado e vender mais de 2 mil cópias com tiragens conforme a demanda sem selo de distribuição ou esquemas de marketing. Foi com o pop descompromissado de Fanzine que o Suzana Flag caiu nas graças do público local e chamou atenção de alguns produtores Brasil a fora. (Castanhal – Pará) - Site

- Nada de Novo (2004) – Mombojó: Quase dez anos depois do manguebit, mais um filhote de Recife deu as caras. Um disco com sonoridade que já se mostrava comum para aquela cidade, mas que chamou atenção justamente por ter combinado de forma espontânea e saudável o cavaquinho, a flauta, a guitarra e o computador. (Recife – Pernambuco) - Site

- Grandes Infiéis (2005) – Violins: Goiás parecia ser um estado sem tradições roqueiras. Eis que surge o Violins com um segundo disco recheado de guitarras harmônicas e pesadas, bastante melodioso e com letras cínicas que falam de angústias e que a sua forma questionam algumas mazelas sociais. (Goiânia – Goiás) - Site

- Los Porongas (2007) – Los Porongas: É um disco que não apresenta nenhuma novidade, pelo contrário, remete a um passado que atualmente todos parecem fazer questão de negar, que são os 80’s. Um disco bem à época, com pegada forte, letras subjetivas e as vezes até mesmo messiânicas. Colocou a terra de Chico Mendes no mapa da música brasileira. (Rio Branco – Acre) - Site

- Córtex (2007) – Cravo Carbono: “Fale de sua aldeia e serás global”. E assim foi. A música regional num contexto universal. Mistura samba, guitarrada, tecnobrega e caos urbano. O Pará sem a pieguice do açaí e do tacacá. (Belém – Pará) - Site

- Acima da Chuva (2008) – Volver: Melodias fáceis e grudentas. Pop sem ser vendido, cheio de referências. Uma mostra de que Recife vai além dos bartuques, bits e misturas de ritmos. (Recife – Pernambuco) - Site

- Artista Igual Pedreiro – Macaco Bong (2008): A banda já vinha chamando atenção pelos show explosivos. O disco só veio confirmar o talento desse trio que faz rock instrumental vigoroso e eleito o melhor do ano pela revista Rolling Stone Brasil. (Cuiabá – Mato Grosso) - Site

- Mundano (2009) – Arthur Nogueira: Esse disco é um divisor de águas na música paraense. Não carrega a maldosa alcunha de “MPP” (Música Popular Paraense), nem é rock. É um disco atrevido, sofisticado e “antenado” com os dias de hoje, sem forçar a barra. (Belém – Pará) - Site

Menção honrosa aos discos:

- Eletrola (2003) – Eletrola (Belém – Pará) - Site
- O Método Túfo de Experiências (2005) - Cidadão Instigado (Fortaleza – Ceará) - Site
- Chico Corrêa & Eletronic Band (2006) – Chico Corrêa & Eletronic Band (João Pessoa – Paraíba) - Site
- A Marcha dos Invisíveis (2007) – Terminal Guadalupe (Curitiba – Paraná) - Site
- Madame Saatan (2007) – Madame Saatan (Belém – Pará) - Site
- Como Num Filme Sem Fim (2008) – Pública (Porto Alegre – Rio Grande do Sul) - Site
- Um Tributo Delinqüente (2009) – Vários (Belém – Pará) - Site
- No Chão Sem O Chão (2009) – Rômulo Fróes (São Paulo – São Paulo) - Site

5 comentários:

  1. Com tantas bandas novas - e mais os remixes - surgindo a cada dia. Fica dificil escolher um disco pra se apegar. Mas entre Curumins e Zumbis, Cachorros e Lobões, Mallus e Tiês, Rômulos e Camelos, vou no "Cidadão Instigado e o Método Túfo de Experiências" que é rock e tudo aquilo que a turma do "bom-gostismo" - da bossa nova até a tal da "MPB de qualidade"- separou como brega, dando um corte de classes na parada. Além de ter alçado o Fernando Catatau a produzir bons disco para outros artistas.

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  2. O "Los porongas" e o "Mundano" são realmente discos maravilhosos!
    Merecem estra aqui!

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  3. Faladanoite... gosto muito desse disco. Acho que selou autoralmente os "n" tributos feitos ao cafona. Acho o Fernando Catatau um guitarrista de mão cheia. O trabalho que ele fez no disco da Andréia Dias, achei demais... taí um disco lembrado só agora que acho que merecia pelo menos uma "menção honrosa".
    Jean Leal... esses discos são muito bons. Acho que o mais importante é o que eles represental (ou deveriam) para suas cidades.

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  4. em minha humilde e simplória opinião...

    gostei da lista, coisas essenciais estão nela.
    but, senti falta de cérebro eletrônico, vanguart, firefriend e autoramas.

    não sei porque, mas trocaria o comentário do los porongas para o pública, tirando as letras messiânicas hehehehe

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  5. Euemim... quando fiz a lista, coloquei discos desas bandas, menos o Cérebro Eletrônico, que realmente não achei nada demais. Achei que outros soavam mais importantes. Escolher entre Vanguart e Macaco Bong por exemplo, foi mais difícil.
    Hahahahahaha... concordo contigo em relação ao Pública e colocaria nessa lista 80's o Terminal Guadalupe.

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